PAPO DE PALPITEIRO!!!
Caros palpiteiros, a partir de hj inauguramos a coluna Papo de Palpiteiro, escrita pela Jornalista esportivo e MBA em gestão profissional do futebol, Marcelo Lancia.
As colunas abordarão o futebol como esporte e suas caracteristicas comerciais extra campo. Esta é certamente uma boa recomendação de leitura, portanto não deixem de prestigiar.
A coluna de estréia trata da copa do mundo nas suas primeiras rodadas.
A Copa do Mundo começou com a maioria dos jogos amarrados e com poucos gols. A pior média de todas as Copas no final de primeira rodada, 25 tentos – 1,56 por confronto. Culpa da cautela de alguns times em tentar manter viva a chance de classificação à fase seguinte, a baixa condição técnica e física(final de temporada nos campeonatos europeus) dos jogadores, a busca da vitória ou empate, pasmem, na marcação e em um esporádico contra-ataque. São diversas as justificativas ouvidas, vistas e lidas até agora na televisão, rádio, jornais, internet e papo informal. Como todo mudo tem uma opinião, vou também entrar na polêmica. Nada melhor que dar um palpite no site Palpites Bolão sobre um dos motivos para poucos gols e jogos ruins.Gostaria de me deter na questão do número de participantes. O inchaço de seleções prejudica o jogo. Desde que o ex-presidente João Havelange assumiu o cargo na FIFA, após a Copa de 1974, o número de países aumentou.
Um dos preços pra conquistar o trono da entidade máxima do futebol mundial foi ceder mais vagas às federações votantes. Primeiro o aumento de 16 pra 24 participantes na Copa da Espanha, em 1982. Na busca de mais um mandato, Havelange seduziu novamente os votantes com promessas de ampliação. Na Copa da França(1998), subiu para 32 seleções.
Os únicos beneficiado até agora são os patrocinadores e organizadores da Copa. Esses ou lucram com a exposição da marca e os dividendos adquiridos com venda de produtos licenciados ou nas obras antes do evento.
O jogo em si ficou pobre. Antes, diversas seleções tinham remotas chances de classificação devido ao seu baixo nível técnico. Desde o começo da década de 80, obtiveram a oportunidade de colocar seu nome na competição. Esses times invariavelmente armam um retranca. Arriscam pouco. Esperam uma falha defensiva. O jogador que marcar tornar-se a bola da vez por um tempo determinado. Até cair no esquecimento e ser lembrado esporadicamente de 4 em 4 anos com um gol que fez, na primeira fase, em uma potência do futebol. O público apreciador do jogo no gramado e não do político fica enfastiado de ver tanta mediocridade.
Como disse o treinador Carlos Alberto Parreira, seis Copas do Mundo na carreira: a competição começa na segunda fase. Poderia ser na primeira se fossem reduzidas às vagas nas Eliminatórias. A disputa nos continentes, menos o Europeu, seria bem mais acirrada. Apenas as equipes com boas condições estariam no seleto grupo de classificados. Uma copa com jogos decisivos. A possibilidade da formação de vários grupos da “morte”. Sorteio sem direcionamento. Um clássico entre Brasil e Argentina na mesma chave. Ou o choque de duas grandes forças européias. Do começo ao fim, confrontos eletrizantes. Ficar grudado no sofá ou tenso nas arquibancadas. Esperando a próxima grande jogada. Todos os jogos decisivos. Aumentaria bem mais o interesse. Daria mais fôlego para os jogadores se prepararem após uma extenuante temporada européia, os craques estão no velho mundo. Os treinadores teriam tempo para azeitar a parte tática. Talvez tivessem que estruturar uma formação para procurar mais o gol. O ideal seriam 16 países ou quem sabe 24. Uma utopia nos dias de hoje para os que gostam de bons jogos.
O importante nas altas cúpulas diretivas é o lucro e mais lucro. Dentro de campo que se jogue a pelada e engane ao espectador mais desavisado, com uma grande cortina de fumaça publicitária em volta do torneio. Ou com a justificativa de que todo mundo tem que ter oportunidade. Elas são dadas nas eliminatórias. Considerada uma fase da Copa do Mundo.
Marcelo Lancia
Última atualização (Sáb, 19 de Junho de 2010 11:04)




